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Muitas vezes o paciente de enxaqueca se ressente que os outros não entendem a sua dor e ainda minimizam a seriedade e a gravidade da doença. Sim, é desanimador ouvir coisas como: “Dor de cabeça outra vez?” Ou: “Faltar ao trabalho por causa de uma dor de cabeça?” Ou então: “Tome um comprimido que isso passa.” E ainda: “Tá querendo chamar a atenção…”1

Mas, é compreensível a dificuldade de se entender e falar sobre um assunto tão estigmatizado. Do lado do paciente, os sintomas e efeitos da enxaqueca são tão devastadores que é quase impossível explicá-los para quem nunca sofreu algo parecido. Do lado dos familiares, amigos e empregadores, é difícil compreender, porque a enxaqueca ainda é uma doença confundida na maior parte das vezes como uma dor de cabeça comum. Deve-se considerar ainda que as pessoas que acreditam no paciente e são solidárias com ele sentem-se também frustradas por não poderem fazer nada para ajudar.2

O desafio é: como explicar a dor da enxaqueca para quem não têm sequer uma ideia aproximada do que seja isso?2,3 Vale a pena fazer um esforço.

    • Descreva os seus sintomas e como eles afetam a sua rotina: as crises de enxaqueca, que podem durar dias e atrapalhar seus planos, seu trabalho e seus relacionamentos, quase sempre são acompanhadas por distúrbios visuais, náuseas, vômitos, tontura, extrema sensibilidade ao som, luz, tato e olfato e formigamento ou dormência nas extremidades ou no rosto.2,3

 

    • Fale sobre o que você tem de fazer para diminuir a intensidade e duração das crises: usar óculos escuros, por exemplo, e ficar em silêncio, de preferência em um ambiente totalmente escuro e longe de cheiros fortes.2,3

 

    • Explique que a enxaqueca é genética (90% dos pacientes têm um histórico familiar de enxaqueca) e que não há “remedinhos” nem “curas mágicas”.2,3

 

    • Explique que não ir a uma festa de família, aniversário de um amigo ou outro evento qualquer, é algo que você não quer fazer, mas é “obrigado/a”, porque isso está fora do seu controle.2,3

 

    • Use e abuse de figuras de linguagem para explicar o que está sentindo: “é como se houvesse um incêndio dentro da minha cabeça e meu cérebro estivesse em chamas”, ou “imagine uma mistura de uma forte dor de dente com o congelamento do cérebro”, ou ainda “é como se minha cabeça estivesse sendo esmagada por uma prensa”.2,3

 

Você também pode citar dados e estatísticas que as pessoas nem imaginam: a enxaqueca é a terceira doença mais prevalente e a sexta mais incapacitante segundo a Organização Mundial de Saúde e afeta 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.4 Com a sua vivência do problema, com certeza vai poder acrescentar a esta lista outras formas ainda mais contundentes de descrever os efeitos da enxaqueca.


Referências

1. American Migraine Foudation. What Is The Rudest Thing Someone Has Said To You About Your Migraine? Disponível em: https://americanmigrainefoundation.org/resource-library/understanding-migrainewhat-is-the-rudest-thing-someone-has-said-to-you-about-your-migraine/ Acesso em março de 2020.
2. eAmerican Migraine Foundation. How to Explain Migraine. Disponível emm: https://americanmigrainefoundation.org/resource-library/how-to-explain-migraine/ Acesso em março de 2020.
3. : https://americanmigrainefoundation.org/resource-library/modeling-migraine-conversations/ Acesso em março de 2020.
4. Migraine Research Foundation. Migraine Facts. Disponível em: https://migraineresearchfoundation.org/about-migraine/migraine-facts/ Acesso em março de 2020.