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A maternidade costuma ser uma das maiores realizações na vida de uma mulher. Mas há uma questão que é preciso levar em conta quando a futura mamãe sofre de enxaqueca: o impacto que as mudanças hormonais podem ter sobre a doença e as suas consequências.1 Embora não haja um padrão em relação à influência dessas mudanças sobre as enxaquecas, a experiência mostra que elas podem se tornar mais leves durante a gravidez e muitas mulheres consideram que o número e a gravidade das crises diminuem durante esse periodo.2

No entanto, pesquisas recentes indicam que as enxaquecas também podem estar associadas à pressão arterial elevada, abortos, cesarianas, nascimentos prematuros e bebês com baixo peso ao nascer.3

As evidências estão documentadas num estudo do Departamento de Epidemiologia Clínica da Universidade de Aarhus e do Hospital Universitário de Aarhus,3 na Dinamarca, publicado recentemente na revista científica Headache. O estudo indica que o número de cesarianas em pacientes com enxaqueca é de 15% a 25% mais alto do que em pessoas sem enxaqueca. O mesmo estudo também sugere que medicamentos prescritos para enxaqueca podem aliviar as complicações. Ou seja, os riscos podem ser menores para mulheres grávidas que sofrem de enxaqueca e faziam tratamento, em comparação com mulheres grávidas que não foram acompanhadas e medicadas. A causa das complicações, portanto, não seria a medicação, mas sim a própria enxaqueca.4

Ter um bebê é uma decisão que deve ser tomada em conjunto pelo casal e a enxaqueca não deve ser motivo para privar alguém dessa experiência. Portanto, antes de colocar seus planos de aumentar a família em segundo plano, procure a orientação de um especialista, que poderá indicar a melhor estratégia medicamentosa e outros recursos, inclusive alternativos, para o controle das crises de enxaqueca da mamãe com o menor impacto sobre a formação do bebê.


Referências

1. The Migraine Trust. Pregnancy and breastfeeding. Disponível em: https://www.migrainetrust.org/living-with-migraine/coping-managing/pregnancy-breastfeeding/ Acesso em março de 2020.
2. American Migraine Foundation. Migraine and Pregnancy. Disponível em: https://americanmigrainefoundation.org/resource-library/understanding-migrainemigraine-and-pregnancy/ Acesso em março de 2020.
3. Aarhus University. Migraine increases the risk of complications during pregnancy and childbirth. ScienceDaily. Disponível em: https://www.sciencedaily.com/releases/2019/06/190626125111.htm Acesso em março de 2020.
4. Nils Skajaa, Szimonetta K. Szépligeti, Fei Xue, Henrik Toft Sørensen, Vera Ehrenstein, Osa Eisele, Kasper Adelborg. Pregnancy, Birth, Neonatal, and Postnatal Neurological Outcomes After Pregnancy With Migraine. Headache: The Journal of Head and Face Pain, 2019; 59 (6): 869 DOI: 10.1111/head.13536.