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A enxaqueca afeta três vezes mais mulheres que homens.1,2 A frequência das crises de enxaqueca está relacionada, entre outras coisas, às mudanças nos níveis dos hormônios femininos que podem ocorrer durante ciclos menstruais, gravidez e menopausa.2,3

As mudanças cíclicas nos hormônios sexuais femininos, particularmente a queda pré-menstrual do nível de estrogênio, supostamente desencadeiam esses ataques.2 Já durante a gravidez e a menopausa, há uma boa chance que as crises diminuam.2 Em relação ao tratamento dos desequilíbrios hormonais, fazer reposição hormonal ou tomar pílulas anticoncepcionais orais nem sempre apresentam resultados para diminuir ou prevenir as crises de enxaqueca.2 Em algumas mulheres, o uso de hormônios pode diminuir a frequência da enxaqueca, porém também pode desencadear um ataque ou não ter efeito nenhum.2

Sendo assim, nota-se que a faixa etária mais atingida pelas crises de enxaqueca também é o de mulheres em plena atividade profissional, o que chama atenção para as limitações da doença no funcionamento cotidiano e, em particular, na capacidade profissional das mulheres.3

Quais as áreas mais afetadas no dia a dia de quem tem enxaqueca?

As enxaquecas, assim como outras doenças crônicas, podem influenciar o funcionamento psicossocial. Elas podem limitar as habilidades, as relações sociais, bem como a capacidade de desempenhar tarefas domésticas e profissionais.3 Além da incapacidade, mulheres que têm crises de enxaqueca relatam um ciclo contínuo de sofrimento, que envolve o tratamento do ataque atual, a preocupação com a próxima crise e a falta de controle sobre a doença.1

Portanto, o bem-estar psicológico da mulher que convive com a enxaqueca é frequentemente afetado.  O estado de incerteza afeta a capacidade da mulher de fazer planos e participar de atividades, se estendendo às relações sociais e ao trabalho, o que também afeta a qualidade de vida.1 Muitas mulheres que têm crises de enxaqueca tem medo de não conseguir cuidar de si mesmas ou de seus dependentes durante um ataque. Ao mesmo tempo, a imprevisibilidade das crises de enxaqueca resulta na necessidade de as mulheres estarem o tempo todo preparadas para uma nova crise de enxaqueca.1 Esses fatores podem gerar isolamento social, estresse e até depressão, o que pode piorar o quadro da enxaqueca.1,3

Muitas mulheres ainda apresentam um sentimento de culpa, uma vez que ter enxaqueca na percepção de outras pessoas pode parecer uma desculpa para evitar responsabilidades. Assim, tentam cumprir suas obrigações e não cancelar atividades quando têm um ataque de enxaqueca o que pode exacerbar a dor ou culminar em isolamento social por querer esconder a doença.1

Não procurar ajuda diminui a probabilidade de uma pessoa com enxaqueca obter tratamento adequado e suporte social. As mulheres devem ser encorajadas a tratar a enxaqueca e melhorar a compreensão sobre a doença.1


Referências

1. Disability & Rehabilitation. Migraine − more than a headache: women’s experiences of living with migraine. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3267523/ Acesso em abril de 2018.
2. American Migraine Foundation. Woman and migraine. Disponível em: https://americanmigrainefoundation.org/understanding-migraine/women-and-migraine/ Acesso em abril de 2018.
3. The Scientific World Journal. Functioning of Women with Migraine Headaches. Disponível em: https://www.hindawi.com/journals/tswj/2014/492350/abs/ Acesso em abril de 2018.

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