Não, eu não estou bêbada! Eu tenho Esclerose Múltipla

Não, eu não estou bêbada! Eu tenho Esclerose Múltipla

Por: Jamie Tripp Utitus

A essa altura, você já deve ter visto uma caneca de café ou alguma camiseta com a frase “Eu não estou alcoolizada, eu tenho esclerose múltipla“. Se você tem esclerose múltipla e já viu uma pessoa bêbada andando (ou VOCÊ mesma já passou por isso) com certeza irá se identificar. Os sintomas da esclerose múltipla e as sensações do excesso de álcool podem ser semelhantes – como a perda da coordenação, falta de equilíbrio, etc. Agora deixando as brincadeiras de lado, se os sintomas da esclerose múltipla de certa forma reproduzem os efeitos do álcool, será que nós que temos esclerose múltipla podemos beber com segurança?

Antes de falar sobre os aspectos clínicos, eu gostaria de relatar minha experiência pessoal e minhas observações relacionadas ao álcool e à esclerose múltipla. Particularmente, eu aprendi que não posso beber. É como se eu tivesse me tornado super sensitiva em relação aos efeitos do álcool. Se eu tomar um gole sequer, minhas pernas, que já são naturalmente vacilantes, tornam-se ainda mais instáveis. Eu acabo tropeçando ainda mais do que já faço normalmente. Como isso pode ser engraçado? Parece que eu tomei uma garrafa inteira de vodca quando, na verdade, só dei alguns golinhos de vinho, o que me deixa furiosa. Muito injusto, não?

Mas agora olhando pelo outro lado… Eu tenho muitos amigos com esclerose múltipla que bebem, com moderação. Eles podem beber uma taça de vinho durante o jantar e não sentir nada. Tenho outra amiga com a doença de Lou Gehrig (Esclerose Lateral Amiotrófica – ELA) que às vezes bebe muito e não sente nada, mas outras vezes toma apenas um gole e se sente completamente bêbada. Quando isso acontece, ela diz que honestamente não pode mais beber mesmo.

Eu não sou médica, mas imagino que isso esteja relacionado ao que o corpo dela está passando no determinado dia em que ela bebe. Mas isso sou só eu, e eles. Você é você.

Ninguém sabe de você ou SENTE as coisas como você! Pode parecer bizarro, né? Mas eu sou fiel a essa afirmação. Nós somos tão individualizados em relação a nossa doença, a forma como ela se manifesta e quando (o que a desencadeia). Por isso, essa conversa deve começar com VOCÊ e o seu médico.

O primeiro aspecto a considerar são as medicações. Dependendo das suas medicações, você não poderá beber. Converse sobre suas medicações com seu médico. Se ele disser tudo bem misturar os dois, aí você parte para o passo seguinte, ou seja, descobrir o que é bom para você e o que não é.

Desde o início eu percebi que não gostava da forma como a bebida afetava minha esclerose múltipla. A exacerbação de todos os meus sintomas nunca me pareceu atrativo. Por isso, eu me afastei da bebida, apesar de ter muitos amigos que conseguem gerenciar a bebida e a esclerose múltipla sem problema. Eles também aprenderam seus limites. Como em qualquer outro processo de aprendizado da esclerose múltipla, eles foram descobrindo com calma e gradualmente o que funcionava para eles. Escolha a sua bebida favorita – cerveja, vinho ou licor – e veja o que funciona para você, e só você saberá a resposta.

Dependendo da quantidade, nem todas as bebidas alcoólicas são consideradas prejudiciais. Você sabia que o vinho tinto, por exemplo, tem mais antioxidantes do que um suco de Açaí? Os antioxidantes são coisinhas pequenas e maravilhosas que buscam e destroem os perigosos radicais livres que podem danificar as nossas células. Os antioxidantes são nossos amigos!

Boas notícias para quem bebe

Um estudo publicado no New England Journal of Medicine revelou que as mulheres que bebem álcool com moderação têm um aumento da potência cerebral. Desculpa, homens! O estudo avaliou mais de 12 mil mulheres entre 70 e 81 anos. Surpreendentemente, as mulheres que bebem moderadamente apresentaram melhores resultados em testes de função cerebral, e os pesquisadores identificaram um estímulo na potência cerebral nas pessoas que tomavam uma dose de bebida por dia. Além disso, as mulheres que bebem moderadamente tiveram 23% de redução do risco de declínio mental em comparação com as que não bebem. Por isso, talvez beber com moderação possa trazer alguns benefícios, certo?

Nesta época do “e-paciente” eu te aconselho a fazer algumas pesquisas por conta, a falar com seu médico e a ser honesto com seu próprio corpo. Anote a forma e a intensidade com que certos tipos de bebida afetam seus sintomas. Você se sente calmo e no controle da situação? Você perde suas habilidades e sente como se estivesse enfrentando um surto da esclerose múltipla? Como se sente no dia seguinte? E ao longo da semana? Ninguém conhece o seu corpo como você. Assuma o controle da situação, fale com seu médico, faça sua própria pesquisa e vá devagar, anotando aquilo o que é bom para você e o que não é.

Saúde!


* Os blogueiros do Vivendo como Você (Living Like You) são financeiramente compensados, considerando um valor de mercado pelas horas dedicadas. O pagamento aos blogueiros de forma alguma interfere no conteúdo que escrevem, nas opiniões ou perspectivas da vida com esclerose múltipla.


Referências

1. Living Like You. No, I’m not drunk! I have MS. Disponível em: http://www.livinglikeyou.com/en/stories/detail/no-im-not-drunk-i-have-ms. Acesso em junho de 2019.

Veja mais em: Vivendo como você

saiu na mídia

Notícias Relacionadas

Ver mais
Ver mais